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eu, redundante

um grammar nazi confessa-se

 

Sempre que escuto um compatriota de peito feito – para mandar a sua certamente solene opinião sobre seja o que for – dizer: “Eu, pessoalmente…” – apetece-me logo adquirir licença de porte de arma. É isso e as expressões ‘vale o que vale’.

‘quando assim é’.

‘rigoroso exclusivo’.

‘viram-se gregos’.

‘concerto ao vivo’.

‘despiu-se de preconceitos’.

‘por ‘x’ ordens de razões’.

‘pequenos nadas’.

E ‘dei o melhor de mim’ – mas não desperdicemos crónicas. Aqui ficam para memória futura.

O inefável, pleonástico, nobre carimbo escarafunchado do ‘Eu, pessoalmente’ faz-me ponderar nas formas impessoais que o emérito orador teria à disposição.

Exemplos: eu, bêbado; eu, sonhando; eu, sonâmbulo; eu, por procuração; eu, após um forte traumatismo craniano; eu, durante um avassalador orgasmo; eu, enquanto meu próprio amigo imaginário, julgo que a Ana e o Pedro se vão separar devido ao hábito desagradável que ele tem de pontapear as crianças dos vizinhos. Já eu, euzinho da silva, eu só, eu sem mais nada nem ninguém, tenho a forte convicção de que sou um imbecil.

Vá lá, poupem a pompa e a circunstância. E já agora tempo.

Luís

velhice, cool old people, elixir
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crise, conto, baseado numa história verídica, LFB
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Luis Borges

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