ADVOGADO DO DIABODESTINOSLIFESTYLE

Al Gore já não mora aqui

Abaixo o Verão – juntem-se a mim pelo arrefecimento global!

 

O meu problema com o aquecimento global é profundamente egoísta. É que o Verão antigamente durava “só” 3 meses. Hoje não. Oh não. O Verão em Portugal está a ficar longo, exasperante, insuportável. Um dia destes, mal sairmos da água após o último mergulho, não nos cruzaremos com o senhor dos gelados e das bolas de Berlim. Levamos logo com um São Nicolau das Amoreiras a promover ofertas de Natal.

É por isso que não quero que o planeta aqueça mais. Claro que também apreciava ir a Veneza antes que seja necessário um curso de mergulho, apetecia-me viajar de veleiro pela costa escocesa sem correr o risco de choque frontal com um iceberg e gostaria de oferecer animais de estimação aos meus filhos, em vez de robôs japoneses.

Mas o Verão é a questão principal. Aliás, o Verão devia ser reduzido. Juntem-se a mim pelo arrefecimento global. O Verão devia durar 15 dias. Duas semanas chegam e bastam para umas tardes porreiras na praia, uma paixão de férias, um pezinho de dança naqueles sítios muito possidónios e muito “in” do Algarve beto. Não que este vosso escriba não aprecie estar in, sobretudo se for in-verno ou-tono.

Não há nada como um pouco de frio.

A começar pela roupa. No Inverno e no Outono as pessoas andam muito melhor vestidas. Reformulo: andam vestidas. O Verão português já praticamente não deixa espaço para o erotismo e a imaginação. Há por aí muito boa gente com tatuagens a ocupar mais centímetros quadrados no corpo do que as peças de roupa. E eu não quero viver rodeado de gente descascada. Se quisesse, vivia no Meco ou na Mansão Playboy. E certamente não trabalhava. Porque não se consegue trabalhar com tanto descascanço à volta. De cada vez que vejo um gajo de chanatos sinto vontade de lhe oferecer o meu par de ténis. Se querem andar de sandálias então sejam coerentes. Levem o conceito até ao fim e vistam uma túnica. Chiça.

Claro que não me bronzeio. Todos os anos apanho um escaldão. Nunca consegui equilibrar-me na prancha de surf (fiz bodyboard, que não é mais do que surf para mariquinhas). Sou açoriano, gosto mais de pedra do que de areia. Abomino os “hits” de Verão: duzentas almas a dançar a Macarena, um espanhol irritante a gritar “booooooooomba!” nas colunas de som da praia, adolescentes a imitar aqueles romenos histéricos e de calcinha justa que invadiram o mundo com o “maiá-ih, maiá-oh, maia-ah, maia-ó-ó!”.

Mas gosto do sol, por isso nada tenho contra a Primavera. Nessa estação há sol e céu limpo como no Verão – só não há calor. E logo o Verão, arrogante e hostil, se apressa a reduzir a Primavera à sua ínfima expressão: uma andorinha só, mesmo. O Verão lançou uma OPA às outras estações. Acha que o resto do ano não passa de um deserto. Tem tiques totalitários. E mesmo assim parece amado por todos… Alguém sabe como o está o tempo, por esta altura, na Islândia?

Post anterior

Rock and Soul

Post seguinte

Decorações de natal: O início

Luis Borges

Luis Borges

Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *