LIFESTYLE

Apanhei FOLIO

sobre o melhor festival literário do país

Prazer puro. O leitmotiv para o meu regresso a Óbidos. Da última vez, vai para 10 anos, parti o motor do carro. Imagino ter contas a ajustar com o karma e chego, como visitante apenas. O maior festival literário do país deixou a vila histórica em condizente ebulição e quero respirar este ar compósito de livros, exposições, tertúlias, concertos, sessões de cinema, encontros imediatos de primeiro grau.

Sou imediatamente adoptado pelo núcleo duro da organização do FOLIO. No Welcome Desk são mais amáveis que carmelitas preparando o pequeno-almoço de Sua Divindade Papa Chico e, súbito, já estou em amena cavaqueira com Zé Manuel Diogo, Rute e um irmão de Vera Cruz, de sua graça Álvaro. Um tempo de pausa, imperiais na mesa duma esplanada e siga gravar uma conversa espontânea. Tema: E humor no FOLIO?

Como indivíduo que desaponta a própria família desde que saiu da Faculdade de Direito com o canudo e jamais regressou (sendo que a única vez que pisei um tribunal foi na condição de arguido), tenho as minhas semi-alarvidades de Peter Pan adiado para confessar: a literatura portuguesa é – alarme de cliché a caminho – riquíssima… mas falta-lhe auto-ironia. A comédia quando surge é quase sempre involuntária. “E então tu apontaste a tua espingarda de carne, e deste-me um tiro” – escreveu em pleno romance, com a sua personagem feminina em discurso directo – uma das nossas mais prestigiadas autoras.

Há solenidade a mais e esquecimento da morte a menos. O humor ajuda: é terapêutico, não tem lactose e é glúten-free. Com mais um copo já me imagino para o ano a intermediar fadistas hilariantes e comediantes depressivos (que los hay, que los hay), organizando maratonas de Mark Twain, Woody Allen e das Farpas entre Ramalho e Eça. Volto a casa, veículo intacto, e desabafo ao telefone com um amigo: foi maravilhoso, regresso no fim-de-semana. Resposta pronta: “Vou contigo. Também quero apanhar FOLIO”.

Luís

(texto publicado no DN)

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