ADVOGADO DO DIABO

O cinema é feito para idiotas!

Adoro descobrir filmes novos. Tanto, que dou por mim a demorar mais na decisão, do que o tempo que levo a ver a minha escolha. A antecipação de uma história bem contada, interpretações dos meus atores preferidos ou, até aqueles por quem não dou nada, como o Owen Wilson e, que um dia entram num Meia noite em Paris pelo Woody Allen e fazem-me ver um outro lado.  Problema? O cinema é construído para idiotas.

É verdade. E não estou a falar de sagas suspeitas de “Fast and Furious” ou de múltiplos acidentes neste mundo que me podem passar ao lado. Falo-vos de outro problema com o qual não me conformo: os trailers.  

Não consigo ver um trailer sem descobrir exactamente quem morre, quem nasce ou quem é assaltado. Aparentemente os spoilers estão na moda e ninguém se lembrou de me avisar. Os trailers, que deveriam apresentar um breve teaser do que aí vem, deixando uma boa vontade de ver o filme por completo, passaram a ser um resumo construído, com todos os momentos de clímax ou twist, que as histórias podem ter. Julgam-nos, talvez idiotas, talvez indecisos que precisam de ser assegurados tal como num banco.

Dou por mim a ler sinopses e a evitar de todo algo que antigamente via com prazer, durante horas. Se continuamos assim, passamos a querer os resultados de um jogo de futebol antes de querer ser jogado.

“O que espera hoje deste derby caro adepto?” 

“Bem sei que o Pizzi vai marcar um livre, cruza para o Jonas que consegue fintar dois jogadores adversários e marcar um golo de chapéu, mas espero conseguir comprar umas queijadas de Sintra” .

Fará sentido tratar o resto das nossas vidas como tratamos o cinema? Se assim fosse perderíamos o nosso clímax: a antecipação, o suspense, o “tudo pode acontecer” que um dia algum guionista criou.  

Sara

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Sara Santos

1 Comment

  1. Luis Talete
    25 Setembro, 2017 at 9:45 — Responder

    E até as sinopses já revelam quase tudo de um filme. O que eu gosto mesmo é de ser surpreendido, seja bom ou mau. Gosto de não saber nada de um filme. Hoje, e com os anos, os actores, realizadores e argumentistas são referencia e na maioria das vezes chegam para tomar a opção de ver um filme. Até a imagem de um poster promocional às vezes motiva-me. Muitas vezes saio com aquele ar de quem levou um barrete, mas feliz porque entrei num blindate cinematográfico, com todos os riscos que isso tem… mas na grande maioria das vezes é um blindate feliz em toda a sua plenitude. Foi bom, foi surpreendido pela positiva e cumpri o meu desígnio de optar sem nada saber.

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