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diálogo mudo

Gosto da maneira como chegas. Nunca te apresentas. Apareces, somente, como se viesses de sorriso malandro pregar-me uma partida. Mas não. Não há em ti outra coisa que não seja delicadeza. És terna, sempre foste.

Sim, eu sei. deixa-me continuar. Sabes aquela certeza absoluta de que te falei? Por maior que seja o desânimo há sempre algo de extraordinário prestes a acontecer. Deve ser isso que chamam de fé. Ensinaste-mo, sem mais palavras, mesmo quando foste cruel – e foste-o algumas vezes. Mas, até mesmo no meio da tempestade, és delicada.

Já vai. Deixa-me terminar. Sabes muito bem que não faço projectos. Nem sei onde vou jantar amanhã. Não te admiras com nada do que faço mas dou-te de volta o que mereces. Também não me surpreendo com as tuas visitas. Não te dou troco. Abro os braços, basta isso. Venha o medo, a paz, o que for, o que vier.

Sei o que estás ansiosa por me dizer,

que te chamas “destino”, substantivo masculino,

mas permite que te fale assim. É que sempre te comportaste como uma mulher.

Luís

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Luis Borges

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