LIFESTYLE

Onde o fogo não queima

 

A aldeia da minha avó tem as melhores filhoses do mundo. É verdade e contesto todos os que discordam, com a prova irrefutável do meu sorriso nas fotografias. São redondas, fofas e não se partem como as de Lisboa. As filhoses da castanheira não precisam de esperar pelo natal, no entanto, só se comem por lá. Podem tentar trazer para casa, mas juro que perdem a sua sedução. Se calcarmos a massa com um dedo, vai-se erguendo novamente, até que a nossa marca se torna invisível.

As filhoses da castanheira da serra são sempre acompanhadas pelos olhares da minha tia, que não parecem ver maldade. Aposto que se mantém de meninice. A aldeia soube guardar.

Amassa com as mãos cheias de calos. As mãos que não conhecem a preguiça de uma folga. O lavor é mau patrão e a terra é insaciável. Mas ainda assim há tempo para amassar e ver as suas sobrinhas conquistadas pela barriga. Sobrando sempre espaço para uma fatia de queijo da serra.

E se um dia o fogo tentar destruir tudo o que me resta de familiar. Que não ouse tocar no olhar da minha tia. Porque a aldeia, tal como as melhores filhoses voltará ao seu lugar.  

Sara

Pessoal vamos fazer o nosso melhor para ajudar aldeias como a minha.

 

foda. escritores online, short-story
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2 Comments

  1. Rodolfo
    24 Junho, 2017 at 22:35 — Responder

    Afirmativo, melhores filhoses do mundo.

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