LIFESTYLE

Guia para amar sem tempo

“O amor é o amor e depois”

O amor aos dezoito anos é feito de estreias. Temos direito aos encontros no cinema e imaginamos as possibilidades de uma sala escura. É desta que ele me beija, talvez não. São jantares no Mcdonald´s com atitudes que julgamos ser adultas.

Aos dezoito anos o amor parece ser sentido de outra forma. Choramos pela falta de noticias, repensamos mensagens sem segundos significados. Deitamos a cabeça na almofada com risos irritantes ou choros tropicais. Aos dezoito já andamos lado a lado com vista para um futuro. Somos adolescentes com poder de decisão.

Descobrimos o amor enquanto ponderamos sobre a nossa vida profissional. Surfista, assistente social, menos 5 kilos e uma vivenda no Alentejo para ter um lar ao regressar das minhas incansáveis viagens pelo mundo. Sempre fui bastante realista.

E então os 22. E os estudos parecem não fazer sentido, um esforço para agradar a família que afinal não parece estar bem. Continuo a querer viajar, a curtir umas ondas e até já consigo ir ao sushi. Mas o amor não sabe ao mesmo. Agora as discussões parecem pesar, os sorrisos não duram tanto e ainda choramos. Sabemos menos do que à quatro anos e as viagens parecem escassas. nem carne nem peixe. Crianças ou adultos. Somos a folha de plástico que separa as fatias de queijo, cumprimos o nosso dever e tornamo-nos inúteis.

Agora vinte e oito. E que se lixe o mundo que voltamos a ser crianças. Dançamos no supermercado e os jantares são mais caseiros. Sorrimos a viajar e discutimos quando tentamos selecionar o nome dos filhos. Que ainda não temos mas que importa referir. Aos vinte e oito não existimos só nós e até cedemos em coisas que pareciam importar. Não importa.

Chamam-nos de senhores na rua e ficamos ofendidos. Aos vinte e oito achamos que o ano dois mil foi ontem e que ainda faz sentido andar de ténis e t-shirts parvas. Gritamos com amigos sobre o facto de irmos todos a um festival, o que comprova que já não somos o publico alvo da bilheteira. Mas vamos, bebemos e tudo faz sentido.

Não sei como será o amor daqui para a frente desde que ainda seja com ele.

Sara

 

5pMN, 5 para a Meia-Noite, Filomena Cautela, RTP, talk-show
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leroy merlin, melom, logic, livro de reclamações, péssimo serviço, mau atendimento
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Sara Santos

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