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My Lisbon Stories

Capital das histórias peculiares

  1. O que significa “amor”?

Tomo um café num tasco da Lisboa dos mais típicos, gerido pelo senhor Germano e pela dona Joana. Apetece dizer que são um simpático casal de septuagenários mas não se pode. Que estão nos 70, sim, mas já se viu maior simpatia em GNR’s da Brigada de Trânsito em perseguição de gandulos versáteis que, entre outras, lhes dormiram com as esposas. Adiante. Os velhotes habituaram-se a ser duros devido à clientela, maioritariamente composta de taxistas “tipo Aeroporto”. E eis que se viram a braços com um problema: contrataram para sua empregada uma ucraniana chamada “Amor”.
Diz-me então o senhor Germano: “É dos diabos, não quer lá ver… Atão com a minha mulher aqui como é q’ eu faço? Você pede um café e eu digo o quê para a miúda? Amor, traz uma bica?!”.

2.”Quer um sonho?”

Dia 30, num café da capital, duas senhoras entraram devagar, uma muito velha e outra muito nova (filha, mais provavelmente neta da primeira). Enquanto amparava a idosa junto do balcão, apontou-lhe os poucos bolos que havia e, nomeando um, perguntou-lhe se queria “um sonho”. A outra senhora não ouvia bem e a interlocutora teve de repetir várias vezes à velhinha.

“Quer um sonho? Um sonho?”.

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boys will be boys, they only change toys

Poesia involuntária, metáfora do ano velho e do ano novo, um casamento entre a ironia e a ternura – o momento foi um pouco de tudo isto e, creio, algo mais para o que não tenho talento suficiente. Limito-me a tirar a fotografia.

3. Uma coisa assim, tipo, a vida

A observação de adolescentes é, tipo, um dos meus passatempos favoritos. Tranquilo, Sr. Procurador. Isto é assim, tipo, sobre o novo acordo ortográfico.

Valerá mesmo, tipo, a pena mudar, tipo, a forma como escrevemos e, logo, falamos enquanto existirem, tipo, adolescentes? Julgo que é assim, tipo, um acto inglório. Vejo-os nos cafés e penso, tipo rancoroso, em como a juventude é desperdiçada nos jovens. Matilhas ululantes com o seu próprio, sei lá, tipo, assim, dialecto. Neologismos, anglicismos e o “tipo”. Que tipo? Um determinado tipo? Aquele tipo estranho? Tudo é tipo.

“Fui ao hi5 dela e estava assim, tipo, diferente. ‘Tás a ver? Com fotos, sei lá, tipo todas sensuais e assim. Bué da comments de outros bacanos (Nota do Tradutor: e por que não, aqui, “outros tipos”?). Man, e ela pôs “open relationship” no “status”. Yá, ‘tou-te a dizer. (pausa) Achas que ela vai, tipo… deixar-me?”.

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Para onde vai o amor quando morre?

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Luis Borges

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