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nunca é demasiado tarde para fazer algo pela primeira vez

40 year old Camping virgin

A Sara é um ser humano low maintenance. Feliz com pouco e a desejar cada vez menos. Já este vosso escriba tem umas articulações enferrujadas e quanto mais avança no calendário mais estima o conforto. Não a consorte, ah não. Que acampar é um delírio e vais ver.
Tanto me disse que, dias após atingir a barreira dos 40, lá me convenceu. Parti a medo para os únicos 5 dias de férias disponíveis para serem gozados a dois. E o primeiro impacto, confesso, não foi sedutor. Imensa gente, areia e pó remixados no ar, a busca difícil pelo sítio ideal embalada por canícula abrasadora, o frenesi da Indie. Sim, levámos a nossa monstrinha de 30 kgs connosco na viagem. O destino? Parque de Campismo da Galé, um habitat natural para a Sara que, qual Grande Arquitecta da vida outdoor, coordenou a montagem da tenda com a perícia dum engenheiro da NASA. Tudo começou a mudar para mim a partir do momento em que os nossos 10 metros quadrados móveis se ergueram via savoir faire da aventureira.

O spot, entretanto tranquilizado pela partida dum largo grupo de convivas que se despedia das férias com uma churrascada agreste ao som do ‘Despacito’, ficou bucólico e apaziguador.

O chinelo no pé durante 5 dias inteiros.

As famílias com bebés.

As arribas assombrosas da Galé.

O café matinal com ovos mexidos entre as árvores.

A alegria da Indie só interrompida para um choramingo de cada vez que um dos seus humanos se afastava para ir ao duche.

Os jantares de camping gas ao lusco fusco.

O sono garantido pelas 23h30, graças aos ossos justamente cansados de caminhadas e sol.

O rumorejar do suave vento nocturno na lona.

Todos e cada um deles ingredientes dum cocktail que me conquistou inadvertidamente. Não esperava, de facto, mas – como sempre – ela tinha razão.

Nunca é demasiado tarde para fazer algo pela primeira vez.

E, nesses 5 dias de costa vicentina, desbravámos ainda as dunas do Monte Velho, Lagoa de Santo André e Vigia, praia na qual – em pleno Agosto e após um caminho de 45 minutos em terra batida, conseguimos estar completamente sós, um trio de seres iluminados, a usufruir privilégios do Universo com deleite e de graça, enquanto tantos concidadãos se afadigam em gastos e tempo perdido para acabarem trancados num resort qualquer do outro lado do mundo.

Portugal é, provavelmente, o país de sonho das fábulas antigas. E para honrar os seus tesouros apenas dois itens são fundamentais: amor e uma cabana.

Luís

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