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Pensamentos que não cabem em postais

No dia do pai

Continuo a falar nele todos os dias. Como se tivesse criado novas memórias desde então. São as mesmas. Continuo a ter saudades todos os dias.

O meu pai ensinou-me sobre a vida e a morte. Sobre os sonhos e a ambição. Ensinou-me sem saber. De mão dada. Depois o braço. Ombros para o chão, perdido em si e sempre em mim. “Pupesas” ao sábado, cócegas nos pés, amor a dois e silêncio a três.

“Não se chora por amor”. Temo não ter cumprido. Tentou sair, os planos estavam prontos e faltou a coragem. E na falta de amor escolheu não estar só. Mas a solidão tem várias formas.

Ficou o arrependimento mudo. Deu o nó que o condenou à forca. Rendeu-se assim. Como qualquer outro caminho para a morte. O ser frívolo foi premiado. Por enquanto.

Ensinou-me então a esperar. Procurei sentir mais. Ele chegou. De uma forma que o meu pai não conheceu, sentida.

Hoje é o dia do pai. E agarro os momentos que ficaram na minha pele. O tempo para ele terminou. Já não vai conhecer o Luís. Não vai saber que o amor existe e que vale a pena esperar. Não vai ser avô e mimar demais os meus filhos. Mas será para sempre lembrado em mim.

Sara

 

 

 

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Sara Santos

Sara Santos

1 Comment

  1. Margarida Almeida santos
    23 Março, 2017 at 18:59 — Responder

    Lindo este texto. É isso tudo…..

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