LIFESTYLE

Road trip pela costa vicentina

Deixei o namorado em casa e parti numa road trip com um grupo de amigas pela costa vicentina. E apesar da saudade ser um calhau no saco de cama que não nos deixa dormir, diverti-me imenso e explorei este meu lado de nómada que não partilho com o Luís.

Road trip. Costa vicentina.

Ilha do Pessegueiro. Porto Côvo

Decidimos conhecer uma praia nova todos os dias e procurar parques de campismo à medida do que íamos andando. Optamos por não desfazer o acampamento todos os dias, até porque as nossas tendas eram vintage. Das que não se abrem em segundos, mas sim em reviravoltas e atilhos.

Descemos pela nacional evitando portagens e aproveitando a vista. A nossa primeira paragem foi em Porto Côvo, na praia do banho, onde tivemos a sorte de encontrar maré baixa e passar por grutas de forma a explorar as praias vizinhas. Passamos a primeira noite em Vila Nova de Milfontes, onde fizemos segundo dia de praia. A temperatura estava espetacular e para nosso espanto alguma coisa afugentou os turistas este ano.

Tivemos de dormir aqui novamente porque queríamos ver o grande jogo de Portugal. E ainda bem! Porque a vitória encheu as ruas de alegria e demos por nós a festejar em carros de praia alegóricos que rebaixavam com o número exagerado de penduras que gritavam “E esta mer** é toda nossa! Allez allez” – abafando ainda um Tony Carreira de fundo.

road trip. Costa vicentina

Sardinhas em lata!

Ao terceiro dia partimos em direção à Zambujeira do Mar, onde por azar de Éolo, o senhor dos ventos estava a dar nas vistas e insistia em levantar dunas e alguns chapéus.

A melhor parte de uma roadtrip é não ter horários e poder parar sempre que nos apetece. Assim aconteceu no Cabo Sardão. E, meus companheiros de viagem, não há palavras para aqueles rasgos de mar. A transparência da maré e a altura da costa exigem respeito. É um local obrigatório para amantes de fotografia.

Só voltamos a montar o acampamento em Odeceixe. A vila do surf, simplista e desenhada em tracejados azuis que aceleram o meu batimento. Morava aqui.

Aproveitámos a praia de Odeceixe, percorremos as águas a pé, admirámos surfistas e passámos num pequeno café de madeira que servia um delicioso bolo de figo.

road trip. Costa vicentina.

Vale dos homens

Decidimos poupar uma noite e ficamos por ali. Ao quinto dia fugimos para o Rogil e conhecemos o Vale dos Homens. Sinto-me uma sortuda por pertencer a esta costa. Admito que fico feliz com o facto de ainda não terem explorado estes pequenos cantos. Gosto que ainda sejam tão nossos, apesar da ocasional meia branca.

As nossas refeições andavam à base de saladas e enlatados. Escusado será dizer que todos os dias visitávamos um supermercado. A parte positiva foi termos sempre encontrado fruta da época e nacional, que levávamos para a praia.

No campismo foi difícil fugir ao tradicional “deitar cedo e cedo erguer”, uma vez que o calor e o ocasional desconforto da natureza teimavam em acordar-nos como uma mãe quando nos atrasávamos para a escola.

Mas tudo se ultrapassa na companhia certa! São viagens em que a parvoíce fica descontrolada. Prova disso foi passarmos a semana toda a recordar bordões dos anos 80 como “isto é que vai aqui uma açorda” ou “la fora está-se pior…está-se!”

Aconselho a usarem a imaginação para passar o tempo, uma vez que nem sempre há espaço para jogos na bagageira. Contudo, um baralho de cartas e um livro conseguem sempre ocupar aquele cantinho entre as meias e as calças.

Se pensarem em fazer uma viagem do género, levem sempre um corta-vento, não deixem o colchão de espuma em casa, levem roupa quente para as noites, lembrem-se que as casas de banho requerem um cuidado extra – como os chinelos, não façam demasiados planos porque não vão ser cumpridos e perdem a piada da aventura. É uma viagem que vos vai ficar na memória e é bastante propícia a obstáculos que no final do dia dão as melhores historias.

No fim, é tão bom regressar a casa e ter a família toda cheia de saudades!

Sara

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