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Sugestão de fim-de-semana memorável

 I – Para acabar bem o Verão, Real Marina Hotel & Spa Olhão

ELE

É o último fim-de-semana de Verão e decidimos passá-lo num 5 estrelas de Olhão. A viagem é longa, e torna-se particularmente tortuosa por duas razões:

  1. a) A bexiga da dita cuja possui uma capacidade de armazenamento análoga ao primeiro PC que a Apple lançou no mercado. Fizemos mais paragens no caminho que o Paulo Vistas em campanha, desesperado por ver o tacho fugir-lhe.
  2. b) Ela aborrece-se fácilmente e, quando precisa de distracção, pratica comigo o seu desporto predilecto: bullying.

ELA

Final do verão anunciado, e eu? Ainda pálida e sem expectativas de ganhar uma cor para conseguir vestir uma camisola clara sem parecer que estou camuflada em missão “ser indiferente a todos”. A viagem? Longas horas de trânsito, com músicas escolhidas pelo Luís, mas que poderiam ser a playlist de um adolescente latino. Entramos no hotel e consigo ouvir “bem-vindos ao paraíso”.

ELE

Chegamos directos para check-in num verdadeiro oásis. Vista de esplendor para a Ria Formosa, marginal de Olhão defronte – ideal para aqueles passeios em que uma pessoa se esquece do fim, e eis o casal alapado para jantar no “Maldeçoade”, magnífica hamburgaria do Real Marina Olhão. Escolhe-se tudo: a carne, o acompanhamento, o tipo de pão, o género de batata. Não sei se a Sara gostou. Tenho de lhe perguntar. Demora tanto tempo a escolher que julgo não ter ainda regressado de Olhão.

ELA

Depois de horas perdidos na estrada e uma discussão clichê entre um casal, comi um hamburguer daqueles que merece uma hora de ginásio em sentimento de culpa. Aliás, estava capaz de ceder um rim por este jantar. Mas foi numa cama, que define o que calculo ser um colchão de 5 estrelas, que me deitei e caí para o lado. Apenas distraída pelo barulho de uma certa pessoa, a desfolhar pequenos chocolates que tinham lugar na fronha da minha almofada.

ELE

A única fuga do hotel durante o fim-de-semana foi para um passeio de 4 horas pela Ria Formosa acompanhados por 4 maciças alemãs tão esfusiantes como agentes funerários num recital de poesia oitocentista islandesa. Felizmente, nenhuma delas caiu ao mar durante a viagem. Corriam o risco de formar novas ilhas na ria.

De resto, e apesar de não ser esse o nosso tipo de férias, abrimos uma excepção. Este fim-de-semana era mesmo para sopas, descanso e o menor número de esforço físico possível. Mais ou menos como os ingleses que se encontravam prostrados ao redor da elegante piscina, em média desde 1989.

ELA

Golfinhos diziam eles. Pensei cá para mim, “está visto”. Cinzento e grande, tal como defino o Luís, outro mamífero que também passa tanto tempo dentro de água como o foco deste passeio. Porém, qual não é o meu espanto quando me torno uma miúda de 5 anos, cujo o sonho de vida constava em nadar com golfinhos. Perdi o sex appeal, mas sem dúvida que valeu a pena.

ELE

Claro que no domingo o sentimento de culpa começou a bater, como duas imperiais no toutiço dum bife pouco habituado a ir aos treinos e lá fomos ao completíssimo gym. Levei uma tareia da consorte que, dir-se-ia, anda a preparar-se para correr a São Vicente. Mas dei-lhe bem, concentrar-me no exercício era aliás a única forma de evitar escangalhar-me perante a visão duma sexagenária espanhola com leggings e óculos escuros à la diva hollywoodesca.

ELA

Para quem nasceu após os anos 80, consorte é um termo usado para descrever a outra pessoa, o nosso date. Mas vamos ao que interessa, o Real Marina Hotel & SPA é a minha última oportunidade de descanso e bronze. No que diz respeito a escapadinhas, a minha prioridade é bastante portuguesa: os pequenos-almoços, a piscina com vista sobre a ria, o sol do algarve, os cocktails fantásticos. Poderei dizer que estou em casa.

ELE

Partimos simultaneamente encantados e tristes. Por um lado, sabemos que vamos voltar; por outro custa deixar o refúgio onde, além do conforto e beleza gerais, impressiona sobretudo a simpatia natural dos funcionários. E já se sabe, quem trabalha feliz, sorri. Se não acreditem, atentem na diferença entre Cavaco e Marcelo.

ELA

Gostaria de pedir ao Luís para ir andando e ficar mais uma semana. Completamente mal-habituada e com um nível de mimo de uma criança no pós-natal. Fica, no entanto, a vontade de voltar e uma esperança latente de que me tenham roubado a antena do carro durante a noite, não vá o Despacito estar em altas outra vez. Fingers crossed 😉

 Luís e Sara

 

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Luis Borges

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