ADVOGADO DO DIABO

Um testemunho sobre o luto.

(Este texto não pretende oferecer orientação, apenas uma partilha).

Gostaria de vos falar sobre o isolamento.

Curiosamente o isolamento nunca vem só. Como uma ponte, estabiliza-se em apoios. Sejam eles o luto, uma depressão ou problemas de auto-estima. Muitas vezes formam uma só base.

Na minha cabeça, estava categorizada nas personalidades fortes, seguras e independentes. O que me levou a isolar-me. Perdi o contacto com muitas pessoas que amo. E não se enganem, o tempo não volta. Não encontramos as mesmas pessoas que deixámos para trás.

É difícil perceber qual foi o ponto sem retorno. Não foram elas que erraram e o ser humano não supera a desilusão quando não estivemos lá para a contrariar.

Nos últimos tempos tive muitas perdas pessoais. Perdi o meu pai, perdi o contacto com as minhas melhores amigas e família chegada. Perdi aniversários, abraços, risos e memórias.

Este foi um parágrafo difícil de escrever. Muito pessoal também. Incomum nesta personalidade contida. Como a minha mãe refere “o melhor fica sempre para nós”. Hoje partilho com vocês, algo que me sai das entranhas. E porquê? Talvez seja um bom mau exemplo.

Foi difícil contrariar a vontade de passar esta ponte. Não me revia em ninguém. O peso que carregava era maior que o convívio e nenhuma palavra a poderia resolver. Comecei a perder a vontade de atender o telemóvel e de sair.

Atravessei a ponte e levei demasiado tempo a regressar. Ganhei peso, falta de auto-estima e deixei a inércia ganhar.

Tive a sorte de algumas pessoas não desistirem de mim. Da minha vida profissional correr bem. Tenho um companheiro ao lado que me apoia incondicionalmente e uma mãe que me ouve e dá na cabeça quando preciso. Aos poucos comecei a voltar. Passo a passo e depois a correr. Voltei. foto-eu

O luto é demorado e, para mim, foi tardio. Perdoei-me a tempo de sobreviver.

Ninguém poderia imaginar o que eu passei. É a maravilha das redes sociais. Com o contacto diário com centenas de pessoas esquecemo-nos que na verdade não falámos com ninguém.

Sara Santos

 

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Sara Santos

Sara Santos

6 Comments

  1. Paula
    22 Novembro, 2016 at 23:34 — Responder

    Como eu te compreendo!
    Agora bola para a frente!!
    És linda?

  2. Marina Rocha
    23 Novembro, 2016 at 9:30 — Responder

    Engraçado! Comigo está a passar-se o mesmo, não graças a deus por luto, porque ainda tenho a minha familia mais direta toda, mas não sei o que se passa, será da idade? Sendo uma pessoa que sempre gostou de conviver, hoje em dia afasto-me e quero estar sozinha. Mas tu ainda és muito nova e tens muito que viver Sara.

    Beijinhos

  3. 5 Dezembro, 2016 at 22:31 — Responder

    Revejo-me, em parte… Perdi o meu pai há 4 anos e sofri outras duras perdas entretanto… Há momentos que precisamos de viver só connosco e depois escrever sobre eles serve de ponte com o resto do mundo… Fi-lo por diversas vezes no meu blogue http://soporquesinto.blogspot.pt/. Acredito que devemos, aos que partiram cedo demais, viver a nossa vida o melhor que conseguirmos, por eles e por nós.
    Obrigada pelo testemunho. Ânimo!

  4. Helena
    6 Dezembro, 2016 at 2:24 — Responder

    Tive uma experiência parecida. Não por luto, mas porque tinha chegado a hora de reavaliar tudo.
    Devo dizer que a necessidade de isolamento é real, embora, no meu caso, tenha sido potenciada pelas pessoas que me rodeavam. Quando nos isolamos cabe aos nossos amigos e família virem resgatar-nos de vez em quando. Nem que seja um telefonema, uma visita, um convite para um café ou um passeio tranquilo.
    Voltei aos poucos a ser quem era, as pessoas que não estiveram lá para mim foram e outras apareceram. Embora sejam amizades recentes, têm sido de uma importância vital.
    A partir do momento que finalmente reagi que o meu objectivo é só um : ser feliz! ?

  5. Emilia Dias
    10 Julho, 2017 at 17:55 — Responder

    Infelizmente passei por uma situação muito idêntica, perdi um irmão com 18 anos, perdi o meu Pai poucos anos depois, a minha melhor amiga, todos muito novos, deixei de ter contacto com os amigos, era só trabalho casa, ainda tive a infelicidade de ficar sem trabalho quase 2 anos, a vida para mim praticamente ficou sem sentido, recuperei mas infelizmente ainda hoje sofro com isso, não é fácil. mas tento levar uma vida o mias normal possível.

    • 17 Julho, 2017 at 14:53 — Responder

      Obrigada pelas suas palavras e uma força deste lado 🙂

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